O Tarot di Bertazzi -

 

CARTA XI - O ENCOSTO

 

“ Quando um demônio e um anjo se assombram com as escolhas de alguém, pode ter certeza, que um Encosto ela tem!”. Esse ditado popular ilustra com elegância esse arcano que é um dos mais controversos de todo o jogo. 

 

Uma mulher caminha de olhos fechados, titubeante por um caminho de paralelepípedos. Sua mão esquerda foi arrancada do braço, demonstrando que seu lado criativo está se perdendo.

 

Carrega nas costas uma entidade sem rosto, dono de inúmeros olhos e membros que abraçam com vigor a senhorita de cabelos esvoaçantes. A criatura feita de sombras cantarola uma antiga canção que ao mesmo tempo encanta e entorpece. 

 

A moça caminha em estado de sonambulismo, derruba uma xícara de café frio e amargo sobre um solo árido. Parece entorna o líquido estragado sobre uma mão que pede socorro dentro de um buraco profundo. A moça parece dar as costas, ignorando aquele ambiente hostil.

 

Guiada pelo seu Encosto pessoal, segue dormente em direção ao lado direito da carta. Uma ilusão de fortuna, onde o chão se estende sob a forma dum gramado verde e muito bem cuidado. A garrafa de álcool corrobora na construção da mentira. Moedas de ouro e prata voam ao léu, demonstrando uma certa irresponsabilidade financeira e material. 

 

A atmosfera é pesada, sem vida e o ar cinzento. As nuvens claras parecem se afastar da cena, querem distância dali.

 

Uma tempestade está a caminho!